Leitura do Livro do Profeta Isaías
Is 52:13-53:12 Fonte do texto: Padre Manuel de Matos Soares 1956 Baixe o Ambo para ver as leituras de hoje em outra tradução da Bíblia em português.
Eis que o meu Servo prosperará, será engrandecido, exaltado, muito altamente elevado. Assim como pasmaram muitos ao verem-no - tão desfigurado estava depois, o seu rosto que não parecia de homem - assim o admirarão multas nações, e diante dele os reis taparão a boca, porque verão o que nunca lhes tinha sido contado, observarão um prodígio inaudito. Quem deu crédito ao que nós ouvimos? A quem foi revelado o braço do Senhor? Subiu como um pobre arbusto diante dele, como um rebento que sai de terra sequiosa; não tinha graça nem beleza para atrair o nosso olhar, o seu aspecto não excitava o nosso amor. Era desprezado, o último dos homens, homem de dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se tapa o rosto, era lançado ao desprezo, nenhum caso fazíamos dele. Verdadeiramente foi ele que tomou sobre si as nossas doenças, carregou com as nossas dores; nós o reputamos como um castigado, como um homem ferido por Deus e humilhado. Mas foi ferido por causa das nossas iniquidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados com os seus ferimentos. Todos andávamos desgarrados como ovelhas, cada um seguia seu caminho; o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós. Foi maltratado e resignou-se, não abriu a sua boca, como uma ovelha emudecida levada ao matadouro, como um cordeiro diante do que o tosquia, não abriu a sua boca. Foi arrebatado por um juízo iníquo. Quem, de entre os seus contemporâneos, pensou em o defender, quando era arrancado da terra dos vivos, morto pelas iniquidades do meu povo? Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios, e, na sua morte foi posto com os malfeitores, embora não haja cometido iniquidade, e nunca se tenha achado dolo na sua boca. O Senhor quis consumi-lo com sofrimentos: mas quando tiver oferecido a sua vida pelo pecado, verá uma descendência perdurável, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Livrado dos sofrimentos da sua alma, verá, e o que vir saciará os seus desejos. Este mesmo Justo, meu Servo, (diz o Senhor) justificará muitos e tomará sobre si as suas iniquidades. Por isso eu lhe darei por sorte multidões, e ele terá parte nos despojos com os fortes, porque entregou a sua vida à morte e foi posto no número dos malfeitores, tomando sobre si os pecados de muitos e intercedendo pelos pecadores.
Salmo Responsorial
Sl 31:2, 6, 12-13, 15-16, 17, 25 Fonte do texto: Padre Manuel de Matos Soares 1956 Baixe o Ambo para ver as leituras de hoje em outra tradução da Bíblia em português.
A ti recorro, ó Senhor: não permitas que eu seja confundido para sempre; livra-me, segundo a tua justiça!
Nas tuas mãos encomendo o meu espírito: vós me libertareis, ó Senhor, Deus fiel.
Para todos os meus inimigos tornei-me um objecto de opróbrio, de ludibrio para os meus vizinhos, de terror para os meus conhecidos; os que me vêem fora (pelos caminhos) fogem de mim. Caí no esquecimento dos corações, como um morto, reduzido à condição dum vaso quebrado.
Porém eu confio em ti, Senhor; eu digo: Tu és o meu Deus. Nas tuas mãos está o meu destino: livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me perseguem.
Mostra sereno o teu rosto ao teu servo, salva-me pela tua misericórdia.
Esforçai-vos e fortaleça-se o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.
Leitura da Carta aos Hebreus
Hb 4:14-16; 5:7-9 Fonte do texto: Padre Manuel de Matos Soares 1956 Baixe o Ambo para ver as leituras de hoje em outra tradução da Bíblia em português.
Tendo nós, pois, um grande pontífice, que penetrou os céus, Jesus, Filho de Deus, sejamos firmes na profissão da nossa fé. Não temos um pontífice que não possa compadecer-se das nossas enfermidades, mas que foi tentado em tudo á nossa semelhança, excepto no pecado. Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e de encontrar graça, para sermos socorridos em tempo oportuno.
Nos dias da sua vida mortal, oferecendo, com grande brado e com lágrimas, preces e súplicas, ao que o podia salvar da morte (pela ressurreição), foi atendido pela sua piedade (para com Deus), e, embora fosse Filho de Deus, (e conhecesse tudo), aprendeu (por experiência própria) a obediência pelas coisas que sofreu; consumado em perfeição, tornou-se a causa da salvação eterna para todos os que lhe obedecem,
Leitura do Livro de Jó
Jo 18:1-19:42 Fonte do texto: Padre Manuel de Matos Soares 1956 Baixe o Ambo para ver as leituras de hoje em outra tradução da Bíblia em português.
Tendo Jesus dito estas palavras, saiu com os seus discípulos para a outra banda da torrente do Cedron, onde havia um horto, no qual entrou com os seus discípulos. Ora Judas, o traidor, conhecia bem este lugar, porque Jesus tinha ido lá muitas vezes com seus discípulos. Tendo, pois, Judas tomado a coorte e guardas, fornecidos pelos pontífices e fariseus, foi lá com lanternas, archotes e armas. Jesus que sabia tudo o que estava para lhe acontecer, adiantou-se e disse-lhes: "A quem buscais?" Responderam-lhe: "A Jesus de Nazaré." Jesus disse-lhes: "Sou eu." Judas, que o entregava, estava lá com eles. Apenas, pois, Jesus lhes disse: "Sou eu", recuaram e caíram por terra. Perguntou-lhes, novamente: "A quem buscais?" Eles disseram: "A Jesus de Nazaré." Jesus respondeu: "Já vos disse que sou eu; se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes." Deste modo se cumpriu a palavra que tinha dito: "Dos que me deste, não perdi nenhum." Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela, feriu um servo do pontífice e cortou-lhe a orelha direita, Este servo chamava-se Malco. Porém, Jesus, disse a Pedro: "Mete a tua espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que o Pai me deu?" Então a coorte, o tribuno e os guardas dos Judeus prenderam Jesus e maniataram-no. Primeiramente levaram-no a casa de Anás, por ser sogro de Caifás, que era o pontífice daquele ano. Caifás era aquele que tinha dado aos Judeus este conselho: "Convém que um só homem morra pelo povo." Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Este discípulo, que era conhecido do pontífice, entrou com Jesus no pátio do pontífice. Pedro ficou fora à porta. Saiu então o outro discípulo, que era conhecido do pontífice, falou à porteira e fez entrar Pedro. Então a criada porteira disse a Pedro: "Não és tu também dos discípulos deste homem?" Ele respondeu: "Não sou." Os servos e os guardas acenderam um braseiro e aqueciam-se ao lume, porque estava frio. Pedro encontrava-se também entre eles e aquecia-se. Entretanto o pontífice interrogou Jesus sobre os seus discípulos e sobre a sua doutrina. Jesus respondeu-lhe: "Eu falei publicamente ao mundo; ensinei sempre na sinagoga e no templo, aonde concorrem todos os Judeus; nada disse em segredo. Por que me interrogas? Interroga aqueles que ouviram o que eu lhes disse; eles sabem o que tenho dito." Tendo dito isto, um dos guardas, que estavam presentes, deu uma bofetada em Jesus, dizendo: "Assim respondes ao pontífice?" Jesus respondeu-lhe: "Se falei mal, mostra o que eu disse de mal; se falei bem, por que me feres?" Anás enviou-o maniatado ao pontífice Caifás. Estava lá Simão Pedro, aquecendo-se. Disseram-lhe: "Não és tu também dos seus discípulos?" Ele negou e respondeu: "Não sou." Disse-lhe um dos servos do pontífice, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: "Não te vi eu com ele no horto?" Pedro negou outra vez, e imediatamente cantou o galo. Levaram então Jesus da casa de Caifás ao Pretório. Era de manhã. Não entraram no Pretório para se não contaminarem, a fim de comerem a Páscoa. Pilatos, pois, saiu fora, para lhes falar, e disse: "Que acusação apresentais contra este homem?" Responderam; "Se não fosse um malfeitor, não o entregaríamos nas tuas mãos." Pilatos disse-lhes então: Tomai-o e julgai-o segundo a vossa lei." Mas os Judeus disseram-lhe: "Não nos é permitido matar ninguém." Para se cumprir a palavra que Jesus dissera, significando de que morte havia de morrer. Tornou, pois, Pilatos a entrar no Pretório, chamou Jesus e disse-lhe: "Tu és o rei dos Judeus?" Jesus respondeu: "Tu dizes isso de ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?" Pilatos respondeu:"Porventura sou judeu? A tua nação e os pontífices é que te entregaram nas minhas mãos. Que fizeste tu?" Jesus respondeu: "O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, certamente os meus ministros se haviam de esforçar para que eu não fosse entregue aos Judeus; mas o meu reino não é daqui." Pilatos disse-lhe então: "Logo, tu és rei?" Jesus respondeu: "Tu o dizes, sou rei. Nasci, vim ao mundo para dar testemunho da verdade; todo o que está pela verdade, ouve a minha voz." Pilatos disse-lhe: "O que é a verdade?" Dito isto, tornou a sair, para ir ter com os Judeus, e disse-lhes: "Não encontro nele motivo algum de condenação. Ora é costume que eu, pela Páscoa, vos solte um prisioneiro; quereis, pois, que vos solte o rei dos Judeus?" Então gritaram todos novamente: "Não este, mas Barrabás!" Ora Barrabás era um salteador. Pilatos tomou então Jesus e mandou-o flagelar. Depois os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha sobre a cabeça e revestiram-no com um manto de púrpura. Aproximavam-se dele e diziam-lhe: "Salve, rei dos Judeus" e davam-lhe bofetadas. Saiu Pilatos ainda outra vez fora e disse-lhes: "Eis que vo-lo trago fora, para que conheçais que não encontro nele crime algum." Saiu, pois, Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse-lhes: "Eis aqui o homem." Então os príncipes dos sacerdotes e os ministros, tendo-o visto gritaram: "Crucifica-o, crucifica-o!" Pilatos disse-lhes: "Tomai-o e crucificai-o, porque eu não encontro nele motivo algum de condenação." Os Judeus responderam-lhe: "Nós temos uma lei, e, segundo a lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus." Pilatos, tendo ouvido estas palavras, temeu ainda mais. Entrou novamente no Pretório e disse a Jesus: "Donde és tu?" Mas Jesus não lhe deu resposta. Então Pilatos disse-lhe: "Não me falas? Não sabes que tenho poder para te soltar, e também para te crucificar?" Jesus respondeu: "Tu não terias poder algum sobre mim, se te não fosse dado do alto. Por isso, o que me entregou a ti, tem maior pecado." Desde este momento, Pilatos procurava soltá-lo. Porém os Judeus gritaram: "Se soltas este, não és amigo de César, porque todo o que se faz rei, declara-se contra César." Pilatos, tendo ouvido estas palavras, conduziu Jesus para fora e sentou-se no seu tribunal, no lugar chamado Lithostrotos (em hebraica Gabhatha). Era o dia da Preparação da Páscoa, cerca da hora sexta. Pilatos disse aos Judeus: "Eis o vosso rei!" Mas eles gritaram: "Tira-o, tira-o, crucifica-o!" Pilatos disse-lhes: "Pois eu hei-de crucificar o vosso rei?" Os pontífices responderam: "Não temos rei, senão César." Então entregou-lho, para que fosse crucificado. Tomaram pois, Jesus, o qual, levando a sua cruz, saiu para o lugar chamado do Crânio (em hebraico Gólgotha), onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. Pilatos redigiu um título, que mandou colocar sobre a cruz. Estava escrito nele: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Muitos Judeus leram este título, porque se achava perto da cidade o lugar onde foi crucificado. Estava redigido em hebraico, em latim e em grego. Os pontífices dos Judeus diziam, porém, a Pilatos: "Não escrevas: Rei dos Judeus, mas: Este homem disse: Eu sou Rei dos Judeus." Pilatos respondeu: "O que escrevi, escrevi." Os soldados, depois de terem crucificado Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. Tomaram também a túnica. Quanto à túnica, que não tinha costura, toda tecida de alto a baixo, disseram uns para os outros: "Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver a quem tocará." Cumpriu-se deste modo a Escritura, que diz: Repartiram as minhas vestes entre si, e lançaram sortes sobre a minha túnica (Ps. 21, 19). Os soldados assim fizeram. Junto à cruz de Jesus estavam sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, vendo sua Mãe, e, junto dela, o discípulo que amava, disse a sua Mãe: "Mulher, eis o teu filho." Depois disse ao discípulo: "Eis a tua Mãe." E, desta hora por diante, a levou o discípulo para sua casa. Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: "Tenho sede." Havia sido ali posto um vaso cheio de vinagre. Então, os soldados, ensopando no vinagre uma esponja e atando-a a uma cana de hissopo, chegaram-Iha à boca. Jesus, tendo tomado o vinagre, disse: "Tudo está consumado." Depois, inclinando a cabeça, rendeu o espírito. Os Judeus, visto que era o dia da Preparação, para que não ficassem os corpos na cruz no sábado, porque aquele dia de sábado era de grande solenidade, rogaram a Pilatos que lhes fossem quebradas as pernas, e fossem tirados. Foram, pois, os soldados, e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro com quem ele havia sido crucificado. Mas, quando chegaram a Jesus, vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados traspassou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. O que foi testemunha deste facto o atesta e o seu testemunho é digno de fé e ele sabe que diz a verdade para que também vós acrediteis. Porque estas coisas sucederam para que se cumprisse a Escritura: Não lhe quebreis osso algum (Ex. 12, 46 ; Nm. 9, 12). E também diz outro lugar da Escritura: Lançarão o olhar para aquele a quem traspassaram (Zc. 12, 10). Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, ainda que oculto por medo dos Judeus, rogou a Pilatos que lhe deixasse levar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu-lho. Foi, pois, e tomou o corpo de Jesus. Nicodemos, o que tinha ido primeiramente de noite ter com Jesus, foi também, levando uma composição de quase cem libras de mirra e de aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em lençóis com aromas, segundo a maneira de sepultar usada entre os Judeus. Ora, no lugar em que Jesus foi crucificado, havia um horto, e no horto um sepulcro novo, em que ninguém ainda tinha sido sepultado. Por ser o dia da Preparação dos Judeus, e o sepulcro estar perto, depositaram lá Jesus.